Chimarrão no amanhecer

Madrugadita… quietude no campo, no insular horizonte pampeano linhas vermelhadas. De saída está a lua, generosa, se despede silenciosamente frente a promessa da manhã ensolarada. Assim como o sol está prestes a despertar, o gaúcho também vai avivando!

Sabemos que no Sul do Brasil acordar cedo não é tarefa fácil. Principalmente durante as estações de frio. O campo cheio de geada dá pistas da intensidade do inverno.

O sol segue abrindo, já é possível vê-lo despontar  no horizonte pampeano…. ainda timidamente pois são seis da manhã.

Cobertas grossas e pesadas ficam sobre a cama. Na cozinha de chão batido, fogo de chão, trempe e bica. Antes de ir a qualquer lado a água para o mate é colocada no fogo.

Chimarrão gaúcho

Matear pela manhã, sozinho ou com a família, é uma prática comum na capital e interior do estado. É momento de despertar e planejar o dia. O despertar no Sul do Brasil se faz aquecendo o peito com o amargo e bom chimarrão.

No rádio de pilha toca “Pilchas” do compositor Leopoldo Rassier

Não pensem que são pirilampos estas estrelas lá fora
É a lua clara dos campos refletida nas esporas
Não pensem que são pirilampos estas estrelas lá fora
É a lua clara dos campos refletida nas esporas

Se uso vincha na testa é pra ver o mundo mais claro
Não vendo o mundo por frestas lhe posso fazer reparos
Sem cinturão com guaiaca me sinto quase que em pelo
Quando meu laço desata sou carretel de novelo

Da bodega levo um trago pra matar a minha sede
Meu chapéu de aba quebrada beija santo de parede

(Atirei as boleadeiras contra a noite que surgia
Noite adentro entre as estrelas se tornaram Três Marias)

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